quinta-feira, 10 de setembro de 2009
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Junto ao portão, fez-me parar e perguntou: «Aonde vais, senhor?» «Não sei», respondi, «para longe daqui, para longe daqui. Sempre para mais longe daqui, só assim poderei chegar ao meu destino.» «Então sabes qual é o teu destino?», perguntou. «Sim», respondi eu, «ouviste o que eu disse: "longe-daqui", é esse o meu destino.»
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A Partida, Kafka
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
[...] Sentia todo aquele electromagnetismo a exercer pressão sobre ela, a abrir linhas imperceptíveis sob o chão que pisava, tantas que se poderia perfeitamente perder ali, num mundo subterrâneo repleto de hieróglifos donde nunca mais teria de regressar – e onde nunca mais teria de se debilitar a pensar em todas as formas e em todas as circunstâncias de autopreservação. O abstracto infinito de efabulações e respostas àquelas perguntas era uma rede de túneis mal iluminados que permitiam o esquecimento, que lhe concediam tréguas. Mas estaria mesmo à procura de uma oportunidade de baixar as armas? [...]
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domingo, 9 de agosto de 2009
[...] Eles haviam mudado, aquilo de que precisavam havia mudado, tinham ido em direcções diferentes à procura do que precisavam, tinham-se afastado, e parecera uma solução tão boa para as mossas incandescentes que se acomodavam debaixo dos ossos. Deixaram de ter as mesmas metas futuras, os mesmos consolos diários. Céus, provavelmente nem tinham as mesmas memórias de todos aqueles anos em que se conheceram, as mesmas… referências ao longo do percurso. E teriam de ir caminhando armados de detectores de metais a olhar para o chão, no mais obsceno silêncio cismado, numa caça ao tesouro ingrata pois nunca iriam concordar com o sítio onde ficara o momento, as palavras certas, a cumplicidade enterrada. [...]
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domingo, 19 de julho de 2009
[...]
I drove past your house last night
I'm not proud of it
But I can't help but wonder
How many days or years
I have left
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
A salvação e o martírio do homem consiste precisamente no facto de levar uma vida aberrante mas poder toldar de tal maneira a consciência que não nota a calamidade da situação.
Lev Tolstói, A Sonata de Kreutzer
Sometimes, I call her names that are not her name. And she says, "That is not my name."
And again I say the name that is not her name. Don't touch me, she says. So I don't touch her, or I say no names and touch her. But still I think of the name that is not her name. But your roof does not fall. Maybe I need to say her name.
Tomorrow, I will break your roof.
Your kitchen chairs are still strong and mine are piles of sawdust. I want you to have dust for spoons and dirt in your closets, clothes that become string on you. Everything that is you to break and disintegrate. Everything that you touch. Your windowsills, the steps that lead to your door, all to fall apart. And when you touch him, his bones to break, the splinters into his pancreas, into his lungs, pelvic bone to snap, the spilling blood to rust. For him to rot and decay and fade.