sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Faz hoje um ano que mudei de casa.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
De repente, levantei-me de um ímpeto da cadeira em que estava, em frente ao pc, e virei costas a tudo a abanar a cabeça e a rir do fundo do diafragma, com uma sinceridade com que há muito não me ria.
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domingo, 30 de janeiro de 2011
A partir daqui não há nada. Não há mais nada para a frente, mas também não há nada para trás. Quatro paredes brancas. As pegadas que andam às voltas e acabam por se sobrepor. Nada. Sente-se o vaivém, a corrente de ar, das pessoas que passam de um lado para o outro. Não se sabe por onde entram. Não se sabe por onde saem. Não se sabe por onde sobem. Não se sabe por onde descem. Nada. Quatro paredes brancas. A certeza que não consegue sair dali. A certeza que não é a única personagem. Mais nada.
Não sabe como foi ali parar. Que foi que me disseste que eu tive de esquecer? Sabe a muito custo que pertence àquele mundo, mas o esforço é tão sobre-humano. E compensa? Será que compensa? Que foi que me disseste que eu preferi nunca ter sabido? E a ignorância que mata em poucos segundos. Ou matava... Mas não há (mais) nada a partir daqui. Porque não espero voltar a lembrar-me... Porque não esperava... Porque não espero voltar... Um ano. Um ano para o comboio dar a volta e para quê? Não conhece outro sítio senão as mesmas quatro paredes brancas, que para o efeito até podiam ser duas, ou uma, um grande muro vazio à espera – sempre à espera – que o preencham de várias cores (cores sem nome porque a partir daqui não há nada), que lhe inventem uma vida.
[...]
Porque a partir daqui não há nada. Não há mais nada para a frente, mas também não há nada para trás. Quatro paredes brancas. Será que alguma vez vou ser capaz de viver com este nada? Este nada consciente, pior que o nada de um coma, pior que o nada do pânico, pior que o nada de um choque. Quatro paredes brancas. Como todo o nada só dá para ficar à espera, tudo bem e contigo?, à espera de nada, enquanto se vê as pegadas a acrescentar itinerários às pegadas, enquanto se sente o vaivém das pessoas de uma ponta à outra a fazer corrente, a fazer corrente de ar, a fazer corrente, não se sabe por onde entram, não se sabe por onde saem, não se sabe por onde sobem, não se sabe por onde descem, a passar mais perto, mais longe, a demorar-se mais, menos, enquanto se ainda não bloqueia aquela parte que se alimenta da possibilidade de, tenho medo de estar a enlouquecer. Não sei lidar com esta ausência. De maneira nenhuma., haver alguém no mesmo sítio, na mesma situação, depois do dilúvio.
(2004)
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Amo-te, e isso não muda nada.
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domingo, 7 de novembro de 2010
I dreamed surgery couldn't fix me
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domingo, 1 de agosto de 2010
[...]
Parece que nos quer devorar… comentei.
Desligaste a lanterna bruscamente e fitaste-me em silêncio.
Então?
Aguentei o teu olhar antes de ceder e afastar-me do poço em passo lento e cabisbaixo.
Não faço a mínima ideia do que significam, respondi de muito longe.
Nada disto? e voltaste a abrir os braços como se toda aquela tarde insólita pudesse caber no abraço que lhe quisesses dar.
Estavas a ficar tão pequeno…
Sabes, ouvi-te da tua distância, às vezes, quando uma pessoa não quer muito ser encontrada…
Tenho tantas saudades dele… murmurei para mim esperando conter a mágoa sob a pele cicatrizada à força dos muitos quilómetros já caminhados. Quase ansiava pelo confronto, mas as forças vacilavam-me, os cortes insistiam em abrir. Levei o polegar à boca para estancar o sangue.
O quê? coxeaste tu atrás de mim, contemplando não sem alguma estranheza o meu gesto infantil. Sabes, às vezes temos de saber quando parar. E paraste, levemente ofegante. Era isso que dizia a mensagem, não era? Eram as coordenadas para irmos para casa… [...]
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sábado, 17 de julho de 2010
Tanto podia ser um ano, dois ou uma década. Bebo. Devaneio. Perco-me. Horas tardias. Sorrisos fugazes. Refugio-me no meu tamanho. Finjo que nada aconteceu. Horas turvas. Bebo mais um pouco. (Sorrio.) Todos caímos enfim no esquecimento.
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