sábado, 24 de janeiro de 2009

Newton Púlsifer (...) reconhecia que a fé era o cinto de salvação que mantinha a maior parte das pessoas a flutuar através das agitadas águas da Vida. Teria gostado de acreditar num Deus supremo, embora tivesse preferido uma meia hora de conversa com ele, antes de se compromenter, a fim de esclarecer um ou dois pontos. (...)

Bons Augúrios, Neil Gaiman & Terry Pratchett, ed. d'As Masmorras

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

«Quando os dois curiosos se despediram de Sua Excelência, Cândido disse a Martin:
- Ora bem, deveis concordar que este homem é o mais feliz de todos os homens, porque está acima de tudo o que possui.
- Não é bem isso - disse Martin -, mas sim um homem que está aborrecido com o que tem. Platão disse há muito que os melhores estômagos não são os que rejeitam todos os alimentos.
- Mas - disse Cândido - não há prazer em criticar tudo, em reconhecer defeitos onde os outros julgam ver belezas?
- Quer dizer - observou Martin -, em ter prazer em não ter prazer.»

Voltaire, Cândido ou o Optimismo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

You're asking me questions
'Cause you know what I'll say
But what if I said yes
Would you leave everything behind
Would you fight to make things right?

Would you save yourself from your misery

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A desconstrução do fígado e apêndices efectua-se a horas certas e inconsequentes. Não parece seguir nenhuma regra ou preceito. Actua em paragens de autocarro, na cama, no primeiro gole de um garoto, a meio de uma palavra. É uma coisinha sem educação e finura. É bruta e brutal e normalmente deixa atrás de si uma confusão de fim de feira. Sacos barulhentos em todos os cantos e uma sensação de melancolia suja

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Respirar ao de leve para que os órgãos inchados não se toquem ao acaso.
Ingerir bebidas quentes para aquecer os espaços vazios e dar cor à pele cinza.
Tomar banho a escaldar para amolecer as arestas.

Cofiou a barba inexistente. Passou, uma vez mais, a mão pelo queixo macio e redondo. Aquela solidão que experimentava nos últimos dias abrira um novo departamento no cérebro.Como um estúdio de música. Isolado, insonorizado, preparado para conter as altas frequências dos seus pensamentos estridentes e histéricos. Começara a assumir a forma de um árbitro de uma partida de ténis, empoleirado numa cadeira afastada do chão. E a ideia de quebrar o som monótono das raquetes parecia impensável. Porque a solidão dá dentadas grandes e arrojadas, tira pedaços como grandes lombos. Os cortes são cirúrgicos, perfeitos. Mas o vazio fica lá e a dor instala-se como um locatário discreto que paga sempre e não ouve música.

domingo, 11 de janeiro de 2009

quero jantar com uma vela que te mostre como te vejo
à luz tímida de uma chama constante
que me chama para o tanto que é o meu todo
ao pé de ti